quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O homem, o medo e as crianças
A minha lembrança de sonho esta noite mexeu comigo. Acordei introspectiva e sensível ao sonho. Minha lembrança é a seguinte, eu chegava a um terreno onde havia uma casa alta, de pelo menos dois andares. A aparência dessa casa era muito pobre. E lá havia um homem com muitas filhos, pelo menos três crianças. Essa casa ficava do outro lado da rua da FioCruz, da ENSP. Onde parecia que eu estava trabalhando prestando serviços, mas que eles iriam assinar minha carteira. Pediam meus documentos de imediato, eu ficava de trazer já que por algum motivo eu pedi para adiar a contratação até o dia seguinte. Parece que havia três áreas dentro da empresa que gostariam de me contratar, por isso a admissão era uma verdade. Algo real. Já combinávamos horário de almoço e tudo. Ali era a Secretaria Acadêmica da ENSP onde trabalhei em 2004. Resolvida as questões sai para o almoço e fui nessa casa em frente a Fiocruz. Mas o pai daquela família, aquele homem, se escondia de mim. Ele queria que eu fosse embora, e nem queria que suas crianças falassem comigo. Puxei assunto com um menino pequeno 3 a 4 anos que fazia alguma tarefa com as mãos sendo que estava de cócoras. Ele pareceu receptivo, mas seu pai logo me impediu de conversar chamando-o e colocando todos os filhos nos braços. Sua esposa havia falecido, e ele estava muito triste e amargurado. Ele se fechou. Parecia ter medo que algo análogo se repetisse, e os fizesse sofrer novamente. Por isso irracionalmente protegia a si próprio e aos seus filhos.
Era como se eu o quisesse persuadir a continuar fazendo algo que ele fazia brilhantemente, talvez seja cozinhar. Ele cozinhava muito bem, e poderia ter muito sucesso ali cozinhando. Mas ele chamava seus filhos para seu colo. Parecia ter medo de mim, muito medo. Ali eu estava sendo indesejada. Parece que ele montou uma espécie de botequim para vender licores e cachaças para subsistência. Tinha alguém lá com ele, um cliente talvez. Puxei assunto mas ele me deu pouca atenção. Ao descer para ir embora avisei que um tacho que parecia aquecendo no forno estava fervendo e transbordaria em pouco tempo. Ele desdenhou mas percebeu ao verificar que eu estava certa. Desci dessa casa simples de ambiente escuro, que mais parecia um barraco e fui em direção a Fiocruz. Precisei passar por entre alguns traficantes e uma ponte estreita e frágil para chegar ao lado da Fiocruz.
Esse relato é o que me lembro melhor do meu sonho.
Interpretações: não sou capaz de definir interpretação para esse sonho que se pretenda total.
A primeira impressão foi, após acordar com desconforto emocional, é que esse homem possa ter alguma relação comigo. Parece que, assim como ele, um trauma antigo, talvez seja a separação dos meus pais, me deixou lesionada e com medo de deixar as pessoas se aproximarem. Assim como ele, ainda que a pessoa tenha boas intenções, reajo instintivamente para me proteger, com medo que o trauma anterior se repita. No sonho, a esposa dele morreu. Na minha vida a separação de meus pais foi traumática. Senti-me abandonada, inteiramente. [...]
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